Diário de Viagem de Douglas Cunha

O Começo.

Como tudo tem um começo, com o Viagens Fotográficas não poderia ser diferente. Escolhemos um final de semana, mais especificamente o dia 13 de dezembro de 2008, para dar o pontapé inicial. Entretanto, como eu sou um pouco detalhista, vou dizer que o ViagensFotográficas começou mesmo no dia 12, data em que peguei o ônibus em São Paulo rumo à Belo Horizonte (MG).

Rumo ao Tiete e à Belo Horizonte.

A passagem estava marcada para as 20h50min, e, como de praxe, cheguei com folgados 80 minutos de antecedência, o que me deu uma trégua suficientemente boa para um lanchinho rápido e uma volta pela movimentada rodoviária do Tiete. O ônibus - um bonito carro da viação Cometa - chegou com meia hora de antecedência, e eu já estava aguardando na plataforma oito. Esperava que não houvesse muitos passageiros, o que possibilitaria uma viagem mais confortável (na verdade eu queria pegar dois assentos) e infelizmente eu estava errado, e, como se não bastasse, as poltronas atrás da minha foram ocupadas por um grupo bem animado de amigos, que cantarolavam um pagode qualquer, alternando com algumas piadas e chamadas ao celular. Resultado: passei praticamente a viagem toda - que foi de aproximadamente oito horas e meia - acordado. Um bom começo para quem iria passar o dia seguinte – cerca de treze horas – em pé, fazendo a cobertura da viagem de trem de passageiros da EFVM (Estrada de Ferro Vitória Minas).

A chegada à Belo Horizonte.

O ônibus chegou à Belo Horizonte(MG) as 05h20min do dia 13 de dezembro, somando exatamente uma hora de atraso. Desembarquei sem maiores problemas, e, conforme combinado, liguei para o dorminhoco Bruno Backup vir me buscar e então irmos direto à estação ferroviária, mas não sem antes passar pelo hotel e colocar, pela primeira vez, a camiseta do ViagensFotográficas. Gostaria que estivesse fazendo um dia bonito de sol, mas São Pedro não estava sincronizado com meus desejos, nos brindando com um dia nublado e com garoa. Pelo menos, não estava frio.

A estação ferroviária de Belo Horizonte.

Após um café da manhã rápido em um bar não muito aconchegante, saímos em direção à entrada da estação de trem, que estava apinhada de gente com diversos pacotes, bolsas e malas dos mais variados tamanhos e formatos. Na entrada, fomos recepcionados por um funcionário uniformizado, que, sem muita cerimônia, checava as passagens e indicava a direção do vagão (“O vagão P3 fica a sua direita.”). O relógio já batia 07h20min e sobrou pouco tempo para fotografarmos o movimento de embarque antes de o trem partir, por isso corremos até nossas poltronas (51 e 52 do carro P3, classe econômica) a tempo de guardar nossas bolsas e descermos para um tour fotográfico. Fizemos poucas fotos da estação, das pessoas embarcando e do trem, antes que os funcionários começassem a fechar as portas e se preparar para partir.

Estação Ferroviária de Belo Horizonte - MG

E começa a viagem.

Pontualmente as 07h30min o trem partiu com todos os lugares praticamente esgotados assim, deu pra sentir porque é necessário adquirir as passagens com bastante antecedência. Os vagões, um pouco estreitos, dificultavam um pouco a nossa locomoção, pois só passava uma pessoa por vez, e em quase todos os corredores havia um funcionário vendendo salgados e doces, ou fazendo limpeza. Apesar disso, passamos praticamente as 13 horas da viagem andando pelo trem.

Viajando de trem

As pessoas.

Já tínhamos ouvido falar sobre a cordialidade dos passageiros em vários sites e blogs pela internet, mas confesso que me surpreendi. O fato de estarmos ambos equipados com câmeras e equipamentos nem um pouco discretos contribuía para que praticamente todo mundo nos notasse, então era quase impossível passarmos por um vagão sem que alguém apontasse para nós (principalmente as crianças) ou nos abordassem com perguntas do tipo: “é pra qual revista moço?”; “tira uma foto minha?”.

Tira uma foto minha

Click, Click, Click... Sorria.

Durante as primeiras horas de viagem, ficamos a maior parte do tempo fotografando. Andamos por todo o trem, fotografando as acomodações da classe executiva, classe econômica, restaurante e exteriores. Tudo era novo pra gente, e, como não tínhamos como prever qual tipo de paisagem apareceria no instante seguinte, não receamos em gastar cliques e mais cliques. Ao final da primeira hora de viagem, já contávamos mais de cem fotos cada. Armazenamento não era problema, pelo menos pra mim, pois levei 28 gigabytes em cartões de memória para a câmera, o suficiente para passar praticamente um dia todo clicando sem parar.

Bruno Backup

A primeira entrevista.

Como uma das tarefas propostas para o site, começamos a entrevistar algumas pessoas no trem. A primeira entrevista foi com o chefe de trem, o Sr. Fernando Ribeiro, que nos contou coisas muito interessantes sobre a história e a formação do trem e da ferrovia. Foi a entrevista mais longa (mais de 10 minutos de conversa) e contribuiu imensamente para enriquecer a matéria inaugural do nosso site (obrigado Fernando). Não deixem de ler a transcrição completa dessa entrevista aqui no VF.

Fernando Ribeiro

Meio dia... Hora de?

Mais de quatro horas de viagem e centenas de fotos, logo notamos que faltava alguma coisa... no estômago. A fome começou a apertar, e resolvemos prosseguir com o próximo item da lista: a comida. Já conhecíamos o caminho, portanto fomos direto para o vagão-restaurante. “Garçom, me passa o cardápio, por favor?”. Pronto, agora vamos escolher a comida e matar aquilo que está nos matando. O Bruno optou por um prato com frango à parmegiana, e eu, por uma pizza brotinho de calabresa, que estava relativamente boa. Mal havia acabado de comer, e já vi que o prato do Bruno não deu conta dele (é, o Bruno come bem, se é que me entendem). Dessa vez ele pediu outro prato e outra coca-cola pra completar o almoço, e para não ficar pra trás, pedi outra pizza brotinho de calabresa, sem refrigerante.

Servido

A tarde, preguiça, fotos e entrevistas.

Passando a hora do almoço, voltamos ao trabalho, ou seja, fotografia e entrevistas. Na segunda rodada de entrevistas, o Bruno se deu bem, pois até paquera ele conseguiu, quando uma senhora veio até mim, pedir para eu tirar uma foto dos dois e ficou tecendo elogios ao meu amigo para mim.

Bruno Backup

Finalmente, a chegada.

Havia se passado quase treze horas e já estava bem escuro. Não dava mais para fotografar paisagens e o jeito foi fotografar pessoas. Fotografamos muita gente pelo trem, a maioria atendendo pedidos do próprio fotografado. Faltava pouco menos de meia hora para a chegada à estação de Cariacica (ES) e já estávamos satisfeitos. Preparamos nossas coisas, desmontamos o equipamento e esperamos sentados - a primeira vez em que sentamos realmente desde que começamos a nossa jornada. Bateu 20h20min, Chegamos então ao destino e terminava a nossa primeira parte da viagem.

Chegando

Hotel? Que hotel?

Aqui estamos, e agora? “Bruno, cadê o hotel que o Anderson havia indicado a nós?” Silêncio. Nada de hotel. Tivemos que improvisar um, seguindo indicações de desconhecidos e quase fomos parar em um (nome censurado). A nossa salvação (ou seria desespero) foi um muquifo de R$ 35,00 a diária. E pra completar, o quarto era coletivo. Sim, para tomar banho eu tive que pegar a senha e disputar o chuveiro com uma gangue de baratas. Como se não pudesse ser pior, nem porta o banheiro tinha, e a cama de solteiro era um colchão velho em cima de uma muretinha de tijolos. Pelo menos acordamos com os dois rins no corpo e vivos (óbvio), mas naquele momento foi uma grande conquista pra nós.

Hotel

Visitas, Convento da Penha.

No dia seguinte (dia 14 de dezembro) saímos às pressas da estalagem, com medo de nos ser oferecido um café da manhã. Nosso amigo Anderson Fonseca, fotógrafo e morador de Vitória (ES) foi quem veio nos salvar. Pegamos ônibus e táxi rumo ao Convento da Penha, que é um lugar super legal, e de onde podemos ter uma vista panorâmica de toda Vitória e Vila Velha. Chegando lá, tomamos um delicioso café da manhã, com direito a chocolate quente e uma deliciosa coxinha. O local estava bem movimentado devido à romaria dos motoqueiros, o que nos proporcionou bons motivos para retratos espontâneos (veja a galeria de fotos completa aqui no nosso site).

Convento da Penha

Almoço e muita paciência.

Não sei se fico feliz por ter coisas a contar, ou triste pelas coisas que tenho pra contar. Tinha tudo pra ser um simples almoço em um shopping Center. O nome? Shopping Center Vitória. A praça de alimentação? Lotada. Meia hora só pra conseguir uma mesa. Mais meia hora pra conseguir ser atendido, e mais uma hora pro almoço chegar, outra meia hora pras bebidas e a cada instante parecia pior. Reclamamos, e descobrimos que o gerente do restaurante (Bonnaparte) estava de folga, e o seu suplente havia virado cozinheiro. O garçom, que menos teve culpa nessa história, até que foi educado e tentou contornar o problema, sem êxito. Tínhamos planos de sair para fotografar a praia antes de pegar o avião para São Paulo, mas em decorrência da demora, tivemos que sair do shopping direto para o aeroporto pra pegar nosso vôo, marcado para as 18h00min. Pelo menos, a volta transcorreu sem problemas, com o vôo partindo na hora e sem transtornos.

 

Shopping Vitoria

Rosa

Parebéns pela iniciativa, tá tudo muito legal. Lamento a triste experiência mas o que é a vida sem elas. Valeu, beijos.