Como vocês já devem imaginar, esse espaço é para que cada um de nós do VF relate o seu dia-a-dia, ou melhor, o seu hora-a-hora da viagem que fizemos. Isso contado com as palavras de cada um, com a linguagem própria de cada um e com as impressões particulares.
A PREPARAÇÃO:
Creio que seja importante começar esse meu relato sobre a viagem de trem que partiu de Belo Horizonte e foi até Vitória, passando brevemente pela fase de preparação, que se iniciou um mês antes.
Depois que decidimos que iríamos mesmo fazer essa viagem como sendo a inaugural do Viagens Fotográficas.com, Douglas e eu começamos a tentar compatibilizar no calendário, as datas possíveis para essa viagem. Do lado do Douglas, tínhamos a faculdade, o curso de inglês aos sábados e, claro, o seu serviço, como limitadores. Do meu lado, alguns compromissos com clientes do escritório e algumas datas em que seria impossível sair de São Paulo por conta de eventos familiares.
Colocamos tudo isso na peneira e ficou decidido que teria que ser mesmo no mês de Dezembro. Em Dezembro, as aulas do Douglas teriam acabado o volume de compromissos com o escritório baixa vertiginosamente e daria tempo pra gente segurar uma graninha para a viagem.
Nossa preparação iniciou-se em 11 de Novembro, quando efetivei a compra das passagens aéreas para a volta. O Vôo da GOL - trecho Vitória-Guarulhos (R$ 341,02 cada, já com taxa de embarque), foi escolhido face ao horário de embarque (18h00min horas do dia 14/12) nos permitir aproveitar um pouco mais de Vitória durante o dia 14/12 na companhia de nosso ilustre amigo Anderson Fonseca – morador de Vitória.

O segundo passo foi a preocupação com o local onde iríamos ficar em Vitória. Preocupação essa que será levada mais à sério por esse que vos escreve nas próximas viagens (adiante, saberão o porquê disso).
Ao passo que eu “deixava de me preocupar” com o hotel ou a pousada em Vitória, fui atrás das passagens de trem – O mais importante da viagem. Sem essas passagens, não haveria passeio, matéria, nem viagem inaugural desse site. Para providenciar as passagens de trem, solicitei à minha querida namorada, Cristiane que as comprasse pra nós. Cristiane trabalha e estuda em BH e passa todos os dias pela Praça da Estação. Por isso, o pedido pra que ela comprasse as passagens. Obrigado amor.
Por último, fui ao Terminal Rodoviário do Tietê, que fica próximo ao meu escritório e providenciei as passagens de ônibus de São Paulo à Belo Horizonte (84 mangos de Cometão pro Douglas e 76 pilas pra mim, que fui de Gontijo um dia antes). As diferenças de preços entre as duas empresas de ônibus devem-se ao modelo do carro que vai fazer o trecho em cada horário (isso no caso do Cometa). O que achei melhor na Gontijo foi a política de preços não complicar muito a escolha. Com exceção do leito, é apenas um preço pra todos os horários. Só não comprei da Gontijo pro meu amigo Douglas (já que era mais barato e o serviço em nada deixa à desejar), porque para o horário que ele precisava sair de São Paulo e chegar em Belo Horizonte à tempo de embarcarmos no trem pra Vitória, não tinha mais passagens.
Depois de quase tudo acertado, comprado e reservado (vejam bem, eu não estava muito preocupado com o hotel), foram muitas conversas no Gtalk e MSN para acertos de detalhes pro site e para a viagem em si. Tivemos umas duas reuniões e depois, embarquei para a inauguração das atividades do Viagens fotográficas.
A VIAGEM:
Pra mim, a viagem inaugural do Viagensfotograficas.com começou 1 dia antes. Isso porque eu tinha alguns compromissos em BH e, tomei a sexta-feira pra esses compromissos.
Viajei de SP à BH na noite do dia 11/12 às 23h30min. Pela empresa Gontijo (R$76,00). O trecho, que geralmente é cumprido pela empresa em 8,5 horas, dessa vez, passou de 10. No início da viagem, próximo à cidade de Extrema, ficamos presos num congestionamento por mais de 2 horas. Esse congestionamento teve como causa um acidente. Chovia muito e, talvez por isso, o acidente acontecera.
Passado esse congestionamento, a viagem transcorreu sem maiores problemas. Cheguei em BH por volta de 10h20min horas do dia 12/12. Fui direto para o Hotel Financial. A propósito, se tiver que se hospedar em BH, o Financial é uma boa opção, considerando o custo-benefício. Apesar de eu não conseguir sinal de wireless em nenhum dos quartos que me disponibilizaram (só consegui acesso à net no Lobby do hotel), o serviço é bom, os quartos são limpos e o café da manhã (incluso no valor da estadia) é simples, mas com o necessário. Eu gostei. O preço pago foi R$116,00 pela diária, sem mais taxas. Obs.: Net é paga à parte (R$5,00 por 1 hora, R$7,00 por 2 horas e R$20,00 por um período 24 horas).
No dia seguinte, às 05h20min da manhã, meu celular toca... Quem seria? Numa hora daquelas? Nem vi quem era e atendi. Era o Douglas:
- Alô?
- E aí man... Beleza? Te acordei?
- não... Imagina... Que pessoa nesse mundo dorme uma hora dessas? (rsrsrs)... Mas e aí maluco, onde vc está?
- Acabei de chegar. Tô na rodoviária.
- Beleza cara. Me dá um tempinho aí que só vou tomar um banho e vou até vc. (Outro fator que pesa a favor do hotel Financial é que fica bem próximo à rodoviária – vc vai à pé em 9 minutos e meio).
Encontrei com o Douglas na praça em frente à rodoviária, e fomos até o hotel onde eu já havia fechado a conta e deixado minha bagagem. Entreguei-lhe as camisetas do Viagens Fotográficas e rumamos sentido à estação ferroviária de BH (14 minutinhos andando).
Como chegamos cedo à estação (06h40min), aproveitamos para tomar um café da manhã num dos muitos botecos em frente à estação. (Não recomendo...).
EMBARCAMOS
O trem parte exatamente às 07h30min horas. Nunca pense em chegar à estação às 07h30min. Precisará chegar ao menos uns 10 minutos antes para o embarque, com a passagem comprada previamente (em épocas de feriados ou férias escolares, ou seja, na alta temporada, é necessário que compre a passagem com antecedência de, no mínimo, 20 dias).
Assim que entramos no trem e localizamos nossas poltronas, começamos a andar dentro e fora do mesmo (isso, claro, antes do trem partir... dãããã... rsrsrs) para um breve reconhecimento.
É interessante: Logo atrás da locomotiva, tem os carros da classe executiva (ou primeira classe como queira). Esses carros possuem ar condicionado (que funciona direitinho), e poltronas mais confortáveis que as da classe econômica. Fora isso, nada demais.
No primeiro carro logo atrás da locomotiva, uma pequena parte dele é isolada dos passageiros. Ali fica um pequeno escritório onde o chefe de trem (Sr. Fernando Ribeiro – leia a entrevista aqui) se reúne com a equipe de funcionários do trem.
Logo depois da classe executiva, formada por 2 carros, vem o carro restaurante, junto com o carro-cozinha-lanchonete. Tudo muito bem projetado limpo e organizado.
Em seguida, vem a classe econômica. O trem, nesse dia partiu com 17 carros de passageiros mais o carro cozinha-restaurante.
Percorremos todo o trem e iniciamos nossa viagem, sentados nas poltronas 51 e 52 do carro P3 (classe econômica) Recomendo.

A viagem em si, foi muito boa, tranqüila e agradável. Fotografei muito, entrevistamos o chefe de trem e duas passageiras, além de ter conhecido inúmeras pessoas de vários lugares com histórias prá lá de interessantes.
A paisagem é realmente gratificante ao longo de toda a viagem.

É, sem dúvidas, uma viagem que ficará marcada, não apenas pela importância que ela tem para esse site, mas pela contribuição que fez em minha vida. Recomendo!
Chegamos em Vitória (estação Pedro Nolasko), por volta de 20h20min. Logo após o desembarque, comecei a me preocupar com o que eu tive muito tempo pra me preocupar antes da viagem: A hospedagem.
Nosso amigo, Anderson Fonseca, que mora em Vitória, teve compromissos profissionais na noite em que chegamos e, portanto, não pôde nos receber em Vitória. Porém, me deixou os endereços e telefones de alguns hotéis e pousadas em Vitória pra que não ficássemos perdidos. Só que esse cabeçudo que vos escreve agora, simplesmente, não fez reserva alguma, sequer, levou os endereços e telefones dos tais hotéis de Vitória... A nossa sorte (???) foi que algumas pessoas nos disseram que, bem próximo à rodoviária, havia vários hotéis e que, da estação ferroviária até lá, era bem perto. Daria pra irmos à pé, mas, com equipamento pesado (e caro) na bolsa, resolvemos tentar (em vão) um taxi.
Em vão porque, como era muito próximo, eles não queriam fazer a corrida. Ou, se queriam, cobravam muito caro. E ainda tentavam nos amedrontar: “-Olha..., nem tentem atravessar a avenida pra tomar um ônibus – aqui é muito perigoso.”
Mesmo com um pouco de medo, fomos! Atravessamos e pegamos um ônibus que passaria pela rodoviária. Realmente é muito perto. Coisa de uns 4 minutos e meio.
Do ponto de ônibus já dava pra ver os hotéis lado a lado. Não tinham aparência de um Meliá ou um Ceasars Park, mas, cansados como estávamos e só iríamos passar a noite mesmo, parecia estar de bom tamanho (ledo engano).
Olha, vou ser bem sincero com vocês. Nunca, mas nunca mesmo, pensem em ficar em algum desses hotéis. Se vocês têm um pouco de dignidade (e eu sei que tem), procure alguma outra coisa. Mas, reserve antes de sair de seu local de origem.
Fui tentar entrar no primeiro Hotel e logo veio uma garota gritando: “-Opa!! Prá lá!! Bem prá lá!!! Do Hotel Minas pra frente!” E isso eu ainda estava atravessando a rua pra chegar à calçada do hotel hein...
Havia alguns hotéis antes do Hotel Minas. E num deles lia-se fácil do outro lado da rua: Não aceitamos usuários de drogas nem garotas de programa. Logo percebi o nível dos hotéis dalí. Mas precisávamos nos abrigar de alguma forma. Nesse momento, me lembrei (e me arrependi) do papel onde deixei os telefones e endereços dos hotéis que o Anderson me tinha passado.
Caminhamos então até o Hotel Minas. Ao passar pelos outros hotéis – todos geminados – vimos cenas deploráveis de garotas em atitudes nada religiosas, pessoas e cachorros deitados sob as marquises e um fétido cheiro de mofo com urina e outros odores que não consegui identificar (ainda bem).
Quando entramos no Hotel Minas, a aparência era melhor. Parecia mais seguro e melhor freqüentado (ao menos parecia).
Logo que fomos atendidos, eu perguntei à mulher da recepção o porquê daqueles hotéis terem nos expulsado. Ela nos disse o que já imaginávamos: São locais que estão interditados pela prefeitura por terem sido usados para prostituição e venda e consumo de drogas. Logo, viram vocês com malas e concluíram que são viajantes e não se interessam por vocês (sorte a de vcs, né?... rsrs).
Perguntamos o preço ela nos disse que eram 40 paus, mas não tinha vaga.
Ela deu-nos a dica de procurar outro hotel na mesma calçada. Disse que era um dos melhores que haviam por lá.
Foi í que minha angústia começou. Encontramos o tal hotel e lá entramos. Um senhor nos atendeu e cobrou-nos 35 mangos pelo quarto com duas camas. Achei barato demais, mas nem desconfiei do estado do hotel. Imaginei, claro, que não era dos melhores, mas nem pensei que seria dos piores. Na verdade, foi o pior lugar onde já passei uma noite. E olha que já passei noites em lugares terríveis hein...
Tiramos, eu e o Douglas, par ou ímpar pra ver quem iria tomar banho primeiro. Lá foi o Douglas, vencedor do par ou ímpar, se deliciar num banho caloroso e gratificante. Afinal, éramos merecedores de um pouco de conforto.
Bom pessoal, vou descrever o quarto que pegamos. Com algo em torno de uns 25 metros quadrados, o quarto dispunha de um banheiro que, além de não ter porta alguma – isso mesmo! O banheiro não tinha porta -, as paredes dele não iam até o teto. Além de não ter iluminação e ventilação natural. Ou seja, o banheiro era apenas para um banho, escovar os dentes e, no máximo, um xixi básico. Podem ver algumas fotos desse “harmonioso” quarto na galeria de fotos.

Depois de uns 2 minutos debaixo do chuveiro, o Douglas diz:
- Xiiiiii, o quarto já está ocupado.
Pensei no que ele estava se referindo sem imaginar o que seria, mas ele concluiu o pensamento:
- Éééééé Bruno..., tem uma colônia de baratas aqui no banheiro.
E eu pensei: Danou-se. Mais uma vez ele vai lembrar que ficou comigo a responsabilidade de procurar por um hotel “decente”.
Bom, pra encurtar a história, tomei um banho rápido, dormi na cama maior e fiquei com o maior dos problemas: Cheguei em São Paulo com sarna. Isso mesmo! Sarna. Escabiose segundo o médico que me atendeu na quarta feira. Tomei remédios, passei outros na pele e rezei muito. Graças à DEUS, estou curado. , como me arrependi de não ter me preocupado com a nossa hospedagem quando pude... Não recomendo!
Na manhã seguinte, nosso amigo Anderson veio ao nosso encontro nos salvar. Deixávamos então, o hotel e fomos conhecer um pouco de Vitória e Vila Velha. Visitamos o Convento da Penha de onde dá pra avistar toda a Vitória e Vila Velha.

E, depois, almoçamos no Shopping Vitória. Aliás, o local onde almoçamos merece um trecho de atenção.
No Shopping Vitória, escolhemos o restaurante Bonaparte para nosso almoço (dessa vez a culpa foi do Anderson... rsrsrs). Mas, é outro lugar que não vale a pena ser visitado. Explico: Tudo o que pedimos chegou com no mínimo 50 minutos de atraso (aquilo que chegou, pois meu feijão, até hoje espero...).
Primeiramente, pedimos um chopp de metro pra mim e pro Anderson e um refrigerante pro Douglas. Estávamos no mezanino próximo do restaurante aguardando nosso chopp. Pois é... Se o Anderson não tivesse ido reclamar 50 minutos depois, o chopp não chegaria até nós (e isso porque já estava pago hein...)
Depois foi a vez de nos chatearmos com a demora da comida que demorou mais uns 50 minutos. Minha fome já estava passando, quando chegam nossos pratos (o meu incompleto – sem o feijão). O Anderson já queria reclamar que a picanha que tinha pedido era, no máximo um contra-filé, o Douglas chateado com a demora e eu esperando o meu feijão chegar (prometido pelo garçom) enquanto minha comida esfriava. Nem comentaria sobre o molho de alcaparras que pedi pra acompanhar meu salmão e que vieram umas pouquíssimas alcaparras perdidas em meio ao azeite e aos cogumelos. Mas, realmente me irritei com o atendimento não do garçom (que se preocupou ao máximo em nos servir com dignidade, mas via-se que ele estava sem muitos meios de nos atender por conta da falta de organização do restaurante), mas do restaurante em si.

Observem que, na foto acima o chopp de metro estava quase no fim e meu prato nem tinha chegado ainda. Quando chegou, veio sem o feijão.
Pedi pra falar com o gerente e fui informado que ele estava de folga. E quem estava no lugar do gerente? Quem? Ah... O sub! O subgerente! Pedi pra falar com ele e ele também não veio (a exemplo do meu feijão). Portanto, se quiserem arriscar, fiquem à vontade, mas eu não recomendo o restaurante Bonaparte do Shopping Vitória.
Passado o almoço, fomos ao aeroporto e voltamos pra SP.
Esse foi meu diário da viagem de BH à Vitória.
Abraços.
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